Comemorações do 25 de Abril de 1974

Comemorações do 25 de Abril de 1974 

48 anos de Democracia, a caminho dos cinquenta… 

«Só fiz o que tinha de ser feito» 

Capitão Salgueiro Maia 

O futuro estava todo ele suspenso naquela madrugada de abril. “Não sei se a História  tem um fio senão tem. Mas já de Santarém partiu o capitão”. 

Às vezes é preciso ter coragem para “partir a loiça”. 

Apesar dos sacrifícios, da censura, da mordaça que sufocava no peito as palavras, apesar  de cada tortura infligida pelas forças da ordem, de cada soldado caído no Ultramar, do  emigrante que “de assalto” corria perigo porque era obrigado a deixar a terra que o viu  nascer e porque “o sonho comanda a vida …” a Liberdade venceu! Vestida de vermelho cravo e verde esperança.  

“Não hei-de morrer sem saber qual a cor da liberdade” 

«Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha»  

 Jorge de Sena 

A 25 de Abril de 1974, o MFA, Movimento das Forças Armadas, colocou em marcha o  Golpe de Estado, a partir do Posto de Comando das forças revoltosas, sediado no quartel  da Pontinha, onde se encontrava Otelo Saraiva de Carvalho, juntamente com outros  altos representantes das Forças Armadas.  

À medida que o processo ia avançando e iam sendo tomadas pelas forças revoltosas  locais estratégicos por todo o país, como bancos e centros de rádio e telecomunicações,  o Posto de Comando era informado através de códigos 

Salgueiro Maia será o comandante das forças do Movimento. É fundamental ter a  certeza do controlo das comunicações e da informação, isso garantirá o sucesso de toda  a operação. 

O Rádio Clube Português transforma-se no emissor do posto de comando do Movimento  das Forças Armadas. Está tudo a postos e devidamente combinado com o locutor João  Paulo Dinis! 

Faltam cinco minutos para as 23 horas. “Convosco Paulo de Carvalho com o Euro festival  de 74 “E depois do Adeus “. Estava dado o primeiro sinal para o início das operações  militares a desencadear pelo movimento das Forças Armadas. 

O segundo sinal, ou a segunda senha, será transmitida através da Rádio Renascença,  quando a voz de Zeca Afonso irrompeu com Grândola Vila Morena, no Programa Limite. “Disse a primeira palavra na madrugada serena um poeta que cantava o povo é quem  mais ordena” Ari dos Santos 

“Grândola Vila Morena Terra da Fraternidade o Povo é Quem Mais Ordena, Dentro  de Ti ó Cidade”.

Perto da 1h30m da manhã, Salgueiro Maia dirige-se aos militares, na Escola Prática de  Cavalaria em Santarém. RC7. O capitão Salgueiro Maia tinha como função atrair para o  Terreiro do Paço, no centro de Lisboa, à beira Tejo, as unidades afetas ao regime. 

Salgueiro Maia: (falando para os militares na parada) 

«Há diversas modalidades de Estado: os Estados socialistas, os Estados corporativos e o  estado a que isto chegou! Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que  chegámos. De maneira que quem quiser vem comigo para Lisboa e acabamos com isto.  Quem é voluntário sai e forma. Quem não quiser vir não é obrigado e fica aqui». 

Todos se oferecem como voluntários. Dos 500 em serviço só 240 podem seguir para  Lisboa. Antes das 6 da manhã a coluna entra em Lisboa e toma posição no Terreiro do  Paço. 

Entretanto, perto das 4h 26m o Rádio Clube Português já havia emitido o primeiro de  dezasseis comunicados que o Posto de Comando iria fazer ao longo de toda a manhã e  de toda a tarde do dia 25 de Abril. 

«Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas. 

As Forças Armadas portuguesas apelam a todos os habitantes da cidade de Lisboa no  sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma.  Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente  assinalada por qualquer acidente pessoal, para o que apelamos para o bom senso dos  comandos das forças militarizadas, no sentido de serem evitados quaisquer confrontos  com as Forças Armadas. (…) apelamos para o espírito cívico e profissional da classe  médica, esperando a sua ocorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual  colaboração, que se deseja, sinceramente, desnecessária». 

Entretanto Chegam ao Terreiro do Paço as forças leais ao governo, comandadas pelo Brigadeiro Junqueira dos Reis. Marcelo Caetano encontra-se no Quartel do Carmo. Perto das 10 horas da manhã, chegam ao terreiro do paço, as forças leais ao governo  comandadas pelo brigadeiro Junqueira dos Reis e o Aspirante Sottomayor.  Salgueiro Maia dirige-se a eles com um lenço branco. Desenrola-se um pequeno diálogo  entre ambos, que também ficará na História: 

Brigadeiro Junqueira: Não se aproxime, queira posicionar-se na retaguarda com as suas  tropas. 

Salgueiro Maia: Proponho que falemos a meia distância entre as duas colunas. Brigadeiro Junqueira: Aspirante Sottomayor, dispare sobre este homem, está a ouvir,  dispare… dispare!  

O aspirante foge para o lado de Salgueiro Maia. 

Brigadeiro Junqueira: Disparem sobre este homem, disparem seus traidores!! Ninguém dispara e Junqueira, isolado, bate em retirada.  

Salgueiro Maia desloca-se para o Quartel do Carmo – onde a multidão eufórica o recebe. Silva Pais, diretor-geral da PIDE, já havia telefonado a Marcelo Caetano e ter-lhe-á dito  – Senhor Presidente, a Revolução está na rua!  

Cerca das 15h30m no Quartel do Carmo, Salgueiro Maia exige a rendição do Ministro do  Conselho. Grita ao megafone: 

– Rendam-se, estamos fartos de esperar, tenho ordens do Posto de Comando para  disparar. Rendam-se… Militares apontem a mira para o edifício! Rendam-se ou  rebentamos com os portões do Edifício!! Dou-vos dez minutos…

Dispara-se sobre a fachada do hotel do Carmo… (rajadas de metralhadora) Marcelo Caetano, sitiado a ouvir o capitão Salgueiro Maia de megafone a dizer que ia  bombardear o Quartel, com a população a recusar-se retirar, pediu por favor que ao  menos o deixassem entregar o poder a um general.  

Tinha caído a mais longa ditadura da Europa do século XX.  

25 de Abril 

“Esta é a madrugada que eu esperava 

O dia inicial inteiro e limpo 

Onde emergimos da noite e do silêncio 

E livres habitamos a substância do tempo. 

 Sophia de Mello Breyner Andersen  

No Carmo não cabia nem mais uma pessoa. Entretanto as pessoas ocuparam os carros  das tropas, e estão em pé em cima deles. Agarrados nas fontes, nos vários andares dos  vários edifícios, nos passeios… Os soldados foram incapazes de conter as pessoas.  Enquanto Marcelo Caetano desaparece por detrás da Bula, todos se manifestam e  gritam. Vitória, Vitória, Vitória!!!!!!!!!!!! 

“antes quebrar que torcer” … 

Democratizar, Desenvolver, Descolonizar, os três grandes objetivos do Movimento das  Forças Armadas, tornam-se num desígnio nacional. A libertação dos presos políticos, o  fim da guerra colonial, as primeiras eleições livres, a liberdade de expressão, a igualdade  entre homens e mulheres, as conquistas na saúde, no trabalho na educação, a nova  Constituição da República, abriram caminho ao desenvolvimento e abertura do país à  Europa e ao Mundo.  

Há que manter abertas as portas que Abril abriu. A Escola é um espaço de  características únicas de e para a preservação e educação da memória coletiva e  individual. Aos nossos alunos, amanhã cidadãos ativos, chamados a sufragar e a  defender a liberdade e a democracia, é importante proporcionar momentos de ação  crítica, de diálogo, de construção criativa e de tomada de consciência cívica e política,  celebrando sempre a Revolução de Abril e as suas conquistas.  

“Abril Sempre! Fascismo Nunca Mais! “. 

Professora Isabel Gonçalves 

História 

EBJosé Afonso- Alhos Vedros

 

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